segunda-feira, 8 de setembro de 2014

BASES FUNDAMENTAIS DE INSTRUÇÃO CINOTÉCNICA


A instrução dos cães apoia-se, fundamentalmente, em quatro bases:


1- Qualidades do tratador/treinador

2- Dados da psicologia canina

3- Princípios relativos ao tratador e ao cão

4- Especialidade de treino a dar ao cão




QUALIDADES DO TRATADOR/TREINADOR

Na realidade, a união existente entre o tratador e o cão vai condicionar a entrega do animal ao treino, fazendo com que haja o bom e/ou o mau tratador e nunca um mau cão, pois este último, aprende o que lhe é ensinado e é o tratador que vai determinar o tempo de aprendizagem e, principalmente, o gosto de aprender dos cães iniciados.

Um mau treinador é aquele que não entusiasma o seu cão, não o incentiva ao esforço de aprender ou praticar exercícios de dificuldade, por conseguinte, o cão não sente sequer o gosto de agradar, pois não tem a quem.

Um bom treinador, pelo contrário, torna-se capaz de obter do animal grandes feitos, pois a relação de amizade, admiração e estima que os une, leva o animal a entregar-se por completo e a aprender com gosto tudo o que lhe for ensinado, pois sente que tem a quem agradar.

Só um bom tratador terá um bom cão.

Deste modo, as qualidades de um bom treinador são:


1ª- Ter amor, não só pelo cão mas, também, pelo adestramento. Esta regra é quase como uma exigência.

2ª- Saber motivar e regular a consistência do treino.

3ª- Ter grande dedicação e disponibilidade.



O cão irá tornar-se seu “filho”, no sentido de que o tratador guiará o seu desenvolvimento e orgulhar-se-á do seu desempenho. Esta relação irá tornar-se num factor determinante do êxito num ambiente de trabalho. À medida que o cão vai fazendo progressos sentimos orgulho e aumenta ainda mais a ligação entre ambos.

Nunca nos podemos esquecer que estamos a lidar com um animal irracional, mas que possui uma excelente memória. Por isso é necessário ser paciente e esperar pacientemente aquilo que tarda.


DADOS DA PSICOLOGIA CANINA

Para que o nosso cão se divirta a concretizar as nossas vontades e percebermos o que este nos quer transmitir (quer seja com um abanar de cauda, quer seja com um rosnar) é necessário estudar e compreender um pouco a mente do cão, ou seja, a psicologia canina, o modo como os nossos cães vêm o que os rodeia e considerando os seus instintos. Todo este conhecimento vai facilitar no adestramento do nosso cão.

O cão vive num mundo próprio, com diferentes regras. Para o entender é necessário penetrar um pouco no seu espaço, conhecer-lhe os instintos e as tendências, os seus hábitos e o seu modo de assimilar o que o rodeia.

Ele não raciocina, não é capaz de deduzir nada a partir do que já sabe, só aprende aquilo que lhe ensinarem, quer porque goste, quer para agradar e só executa aquilo que aprender ou o que as suas tendências lhe ditam. Ele aprende pela repetição e associando sempre um gesto ou uma voz a um exercício.

Observando o comportamento do cão, chega-se a três conclusões que devemos ter em conta se quisermos respeitar a sua natureza e se, de facto, estivermos interessados no bem-estar do nosso amigo:

- O cão é um animal predador;

- O território tem uma importância fundamental para ele;

- Tem necessidade de viver uma existência social, isto é, de viver junto de outros indivíduos.
Instintos


O instinto agregário : é um dos instintos fundamentais para uma relação entre o cão e o ser Humano. Este instinto baseia-se na predisposição para se juntar em matilhas e organiza-las hierarquicamente, em linha vertical, de modo a que

não existam dois animais com o mesmo grau de poder. Sabendo isto, o Homem pode tornar-se no “mestre” do seu cão e, assim, tornar o cão obediente e capaz de realizar um elevado número de tarefas, à voz ou ao gesto de seu “mestre” bem como defende-lo de qualquer agressão.

O instinto de propriedade: é mais conhecido por guarda. Resume-se á predisposição para se apropriar do território onde vive, se alimenta e reproduz, sendo feita a limitação do seu território com marcas olfactivas (urina ou fezes), que servem como aviso ao intruso.

Instinto de busca e perseguição : que é muito utilizado, principalmente, para a caça ou durante um exercício de guarda, por exemplo, quando o cão procura um malfeitor.

Tal como nos seres humanos, também nos cães, é possível observar uma série de idades psicológicas, isto é, períodos em que certos comportamentos são dominantes e outras faculdades estão completamente ausentes ou aparecem de forma limitada.

Idade neonatal (até aos 15 dias de vida). Durante este período as actividades predominantes são alimentar-se e dormir. O cachorro desta idade utiliza cerca de um terço do seu tempo a alimentar-se, enquanto passa o resto do tempo a dormir.

Idade de transição ( dos 15 aos 25 dias de vida). Nesta fase inicia-se a capacidade do cachorro para perceber os estímulos externos, graças ao amadurecimento dos seus órgãos sensoriais. Aumenta a independência em relação à mãe e reforça o vínculo com os outros membros da ninhada (podem observar-se as primeiras tentativas tímidas de brincar com os seus irmãos).

Idade da socialização (dos 25 dias aos 2 meses e meio). É o período mais importante para o desenvolvimento social do cachorro, aumentando, sobretudo em forma de brincadeira, os seus vínculos com outros cães e com os seres Humanos. As experiências vividas neste período marcam a personalidade do cão e podem ter consequências no seu comportamento como animal adulto.

Com o desenvolvimento da dentição inicia-se a etapa do desmame, que leva ao afastamento, cada vez maior, do cão em relação á progenitora. É nesta fase que a mãe por vezes assume comportamentos agressivos com os cachorros que ainda pretendem continuar a mamar, pois a nova dentição (dentes mais aguçados), magoam-lhe os mamilos, este afastamento gradual é importante no sentido da separação destes processar-se sem stress.

Idade juvenil (dos 2 meses e meio aos 6 meses). Continuam substancialmente, invariáveis os esquemas de comportamento e o predomínio da actividade lúdica (brincadeiras), mas aumenta de forma considerável a capacidade motora e com ela as actividades exploratórias do território.


Desenvolve-se ao mesmo tempo o mecanismo de domínio e de submissões, e com ela a agressividade e estabelecem-se as relações hierárquicas.

É em cachorro que se deve habituar o cão a conviver pacificamente com outros animais; em algumas raças este comportamento é instintivo, enquanto que noutras raças deve ser ensinado com paciência e persistência.


PRINCÍPIOS RELATIVOS AO TRATADOR E AO CÂO

É necessário compreender que o cão, assim como as pessoas, têm comportamentos variados e até mesmo individuais, mesmo dentro da mesma raça. Só compreendendo isto e tentando conhecer a natureza do animal o tratador poderá retirar o maior rendimento das suas capacidades.

Um cão corajoso que não se deixa intimidar, deve ser tratado com voz forte e ríspida, pois de outro modo tenderá a tornar-se desobediente tentando impor a sua liderança. Por outro lado, um cão medroso e tímido, deve ser tratado com voz calma e meiga, para que não se retraia e ganhe confiança.

Um cão equilibrado é o cão ideal para treinar pois é geralmente confiante e obediente.



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A escolha de um Boxer

Antes de se adquirir um BOXER deve-se ter bem presente que teremos em casa um ser dependente, uma criança permanente durante pelo menos 10 anos. No entanto, se já se decidiu, há alguns pormenores que deverá prestar atenção ao escolher um exemplar desta magnífica raça.
Um cão deve ser adquirido no criador, ou então deve-lhe ser facultado uma visita aos progenitores para que os possa observar e avaliar por si próprio se, apesar de Boxers, correspondem correctamente ao estalão, aumentando-se as probabilidades de o seu futuro cachorro ser um bom exemplar. No entanto, pode-se dar o caso de os progenitores serem bons exemplares e alguns filhos terem erros de estrutura, embora raro, ninguém o poderá garantir.

Para encontrar criadores poderá dirigir-se ao Boxer Clube de Portugal que, como possuem um registo das ninhadas, poderão indicar-lhe os contactos dos criadores com cachorros disponíveis para venda. Poderá perguntar também ao Clube Português de Canicultura ou investigar no nosso link "Ninhadas".

Até há pouco tempo atrás, a idade aconselhada para se levar um cachorrinho seria com 8 semanas de idade, no entanto, concluiu-se que as 8 semanas correspondem a um período de “medo” (comparável ao medo sentido por bebés com 8 meses). Assim, o momento ideal para entrega de um cachorro Boxer, será por volta das 9/10 semanas de idade, variando de individuo para individuo. Contudo poderá escolher o seu cachorro mais cedo e ir visitá-lo com alguma frequência. Desta forma até o cachorro escolhido se habituará à sua presença e não ficará tão estranho quando chegar o momento de o levar para sua casa.

A escolha de um cachorro deverá basear-se no carácter e na saúde demonstrados pelo cachorro. Em relação à saúde deverá prestar atenção aos olhos dos cachorros que deverão ser brilhantes sem serem demasiado remelosos, podendo existir algumas remelas no cantinho do olho no caso de o cachorro ter acordado há pouco tempo, devem ladrar, brincar, demonstrar curiosidade sem ser assustadiço e não apresentar um ar infeliz. Os cachorros não deverão ser muito (demasiado) gordos porque isso poderá causar alguns problemas ao nível das articulações. O pelo deve ser brilhante e com um aspecto saudável (não se deve soltar ao acariciar), sendo natural se estiver um pouco sujo visto que quando os cachorros começam a comer alimentos sólidos geralmente sujam-se um pouco. Em relação ao carácter, tudo depende do seu gosto visto que pretende que o animal se adapte a si e à sua vida. Assim, se observar os cachorros a brincar verificará que um deles é sempre o agressor e que desafia os irmãos a brincar, pelo que esse cachorro terá uma personalidade muito forte. Se pretender um cão mais sossegado e ponderado será preferível escolher um cachorro que observe atentamente e de forma interessada as brincadeiras dos irmãos. No entanto, não se esqueça que um Boxer é um cão muito alegre e cheio de vida, sempre pronto para a brincadeira pelo que nunca será demasiado sossegado.

Ao comprar um Boxer, bem como qualquer outro cão, deverá pedir o Boletim de Vacinas e o Registo de Desparasitações que deverá levar consigo quando for com o cachorro ao Veterinário. Ser-lhe-á entregue também um registo com a Árvore Genealógica do seu cachorro, conforme está registada no Livro de Origens Português (LOP) no Clube Português de Canicultura, documento este que deverá estar assinado e acompanhado por fotocópia do Bilhete de Identidade do criador para se poder proceder à transferência de propietário.

Quando for buscar o seu cachorro é aconselhável que vá acompanhado para ele não se sentir “sozinho” e “desprotegido” no caminho para o novo lar, onde já não tem os irmãos nem a mãe para lhe dar conforto num sítio onde nem os cheiros são iguais, além de que nas primeiras vezes que andam de carro costumam enjoar. Assim, ao ir acompanhado já haverá alguém que brinque com ele e que o aconchegue no caminho para casa.

O dono deverá ser sempre o melhor amigo do seu cão!

Desejos de muito Boa Sorte com o seu novo amigo
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Nossa história


Quando a paixão se exercita e o amor é a tradução de valores, que carreamos ao longo da vida, então, o projecto ganha corpo e a sua alma transforma-o em realidade.

Os Açores, região telúrica onde a «força da Natureza» prodigalizou encantos mil, leva-nos ao encontro desse sonho, materializado na paixão e no gosto pelo cão da raça BOXER. A sua inteligência, coragem e o seu porte altivo concorrem, exponencialmente, para a sua singularidade.

“Boxers” é a minha homenagem à dignidade desse cão, mesclada com a memória da terra dos meus antepassados, terra que amo e que quero transportar por esse mundo fora. E nunca um «afixo» teve tanta interacção, já que, contemplando o animal, encontro uma total correspondência entre as suas características físicas e de personalidade e estas ilhas, que povoam o imaginário de uma Atlântida perdida.

A estética, componente importante do estalão da raça, conduz-nos a um cão de estrutura curta e ossatura forte. Mas, na sua cabeça, reside grande parte da sua beleza. O crânio estreito e com uma protuberância na crista occipital, lembra uma montanha, harmoniosamente, encimada por uma nuvem em forma de pêra. O «stop», bem marcado, remete-nos para um sulco, uma caverna, discretamente esculpida pela chuva e pelo vento. E as maxilas, largas e negras, com prognatismo adequado, evocam-nos, na sua cor negra azeviche, as escorrências de lava já petrificada de um qualquer vulcão extinto, ou, quem sabe? simplesmente adormecido. Os olhos, escuros e arredondados, são como duas pérolas negras, de intenso brilho, como as lagoas, que disseminadas por todas as ilhas, são foco de intensa vida e resplandecente fulgor.

Revejo em toda a sua estrutura corporal ( pescoço comprido, redondo e forte, com a linha superior descrevendo uma curva elegante desde a nuca até à cruz; o tronco apoiando-se em membros direitos e de ossatura forte; um garrote bem marcado; a garupa ligeiramente inclinada, curva, plana e larga; um tórax profundo com costelas bem arqueadas e flancos curtos, fortes e ligeiramente elevados) o símbolo máximo da força e actividade telúrica destas ilhas - « a montanha do Pico», com uma densidade e uma imponência que nos esmaga e nos impede de, ao contemplá-la, ficarmos insensíveis a essa força abrupta da Natureza.

Mas um cão também é «carácter». E aqui, o Boxer é um campeão. É como «os antigos baleeiros da Ilha do Pico», gente que aliava uma coragem temerária, nervos de aço, auto-confiança, brio e energia a uma inabalável lealdade e fidelidade aos membros da sua companha.

As Ilhas com a sua beleza natural, onde a força dos elementos se fundiu com a generosidade das suas gentes, serviram de inspiração para o nome do afixo e correspondente símbolo. A projecção estilizada da cabeça do animal na montanha negra e vulcanizada é a melhor associação entre a natureza das ilhas e a imponência de um cão, que se reconhece na força e plasticidade dos seus movimentos e na nobreza e no fluir do seu carácter. A pirâmide invertida, em tons de azul, é a interiorização colectiva desse mar, ondulado, fonte de subsistência ou de deleite, onde projectamos, qual espelho, os nossos sonhos e as nossas ambições.

«Boxers» - o sonho transmutado em realidade!