quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Nossa história


Quando a paixão se exercita e o amor é a tradução de valores, que carreamos ao longo da vida, então, o projecto ganha corpo e a sua alma transforma-o em realidade.

Os Açores, região telúrica onde a «força da Natureza» prodigalizou encantos mil, leva-nos ao encontro desse sonho, materializado na paixão e no gosto pelo cão da raça BOXER. A sua inteligência, coragem e o seu porte altivo concorrem, exponencialmente, para a sua singularidade.

“Boxers” é a minha homenagem à dignidade desse cão, mesclada com a memória da terra dos meus antepassados, terra que amo e que quero transportar por esse mundo fora. E nunca um «afixo» teve tanta interacção, já que, contemplando o animal, encontro uma total correspondência entre as suas características físicas e de personalidade e estas ilhas, que povoam o imaginário de uma Atlântida perdida.

A estética, componente importante do estalão da raça, conduz-nos a um cão de estrutura curta e ossatura forte. Mas, na sua cabeça, reside grande parte da sua beleza. O crânio estreito e com uma protuberância na crista occipital, lembra uma montanha, harmoniosamente, encimada por uma nuvem em forma de pêra. O «stop», bem marcado, remete-nos para um sulco, uma caverna, discretamente esculpida pela chuva e pelo vento. E as maxilas, largas e negras, com prognatismo adequado, evocam-nos, na sua cor negra azeviche, as escorrências de lava já petrificada de um qualquer vulcão extinto, ou, quem sabe? simplesmente adormecido. Os olhos, escuros e arredondados, são como duas pérolas negras, de intenso brilho, como as lagoas, que disseminadas por todas as ilhas, são foco de intensa vida e resplandecente fulgor.

Revejo em toda a sua estrutura corporal ( pescoço comprido, redondo e forte, com a linha superior descrevendo uma curva elegante desde a nuca até à cruz; o tronco apoiando-se em membros direitos e de ossatura forte; um garrote bem marcado; a garupa ligeiramente inclinada, curva, plana e larga; um tórax profundo com costelas bem arqueadas e flancos curtos, fortes e ligeiramente elevados) o símbolo máximo da força e actividade telúrica destas ilhas - « a montanha do Pico», com uma densidade e uma imponência que nos esmaga e nos impede de, ao contemplá-la, ficarmos insensíveis a essa força abrupta da Natureza.

Mas um cão também é «carácter». E aqui, o Boxer é um campeão. É como «os antigos baleeiros da Ilha do Pico», gente que aliava uma coragem temerária, nervos de aço, auto-confiança, brio e energia a uma inabalável lealdade e fidelidade aos membros da sua companha.

As Ilhas com a sua beleza natural, onde a força dos elementos se fundiu com a generosidade das suas gentes, serviram de inspiração para o nome do afixo e correspondente símbolo. A projecção estilizada da cabeça do animal na montanha negra e vulcanizada é a melhor associação entre a natureza das ilhas e a imponência de um cão, que se reconhece na força e plasticidade dos seus movimentos e na nobreza e no fluir do seu carácter. A pirâmide invertida, em tons de azul, é a interiorização colectiva desse mar, ondulado, fonte de subsistência ou de deleite, onde projectamos, qual espelho, os nossos sonhos e as nossas ambições.

«Boxers» - o sonho transmutado em realidade!



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